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MPF denuncia 35 pessoas por fraude de R$ 86 milhões no BPC em Minas

O MPF denunciou 35 pessoas por fraudar o BPC com idosos fictícios em Minas Gerais. Entenda o caso e o que a família do beneficiário real deve fazer para se proteger.

Foto de Equipe Saúde na Minha VidaEquipe Saúde na Minha Vidavia O Tempo

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 35 pessoas suspeitas de montar um esquema de fraude no INSS em Minas Gerais. Segundo a reportagem do jornal O Tempo, publicada em 6 de outubro de 2026, o grupo teria movimentado mais de R$ 86 milhões ao longo de cerca de duas décadas, por meio do cadastro e do recebimento indevido do Benefício de Prestação Continuada (BPC), também chamado de Loas, destinado a pessoas idosas e a pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.

De acordo com a denúncia, a organização criou pessoas que nunca existiram e, em nome delas, obteve do INSS benefícios assistenciais que eram sacados mês após mês. Dos benefícios fraudulentos identificados, 240 ainda estavam ativos, com saques regulares, quando a operação interrompeu os pagamentos. A reportagem informa que isso impediu que os criminosos retirassem cerca de R$ 35 milhões dos cofres da Previdência Social.

Como o esquema funcionava, segundo o MPF

Os procuradores responsáveis pelo caso, André de Vasconcelos Dias e Lucas de Morais Gualtieri, descrevem uma organização dividida em quatro núcleos. Um cuidava da falsificação de documentos em cartórios, outro atuava com intermediários nas agências do INSS, um terceiro usava os chamados "dublês biométricos" e o último era responsável pelos saques e pelas transferências do dinheiro.

Os dublês biométricos eram pessoas reais que se apresentavam no lugar dos beneficiários inventados para fazer o cadastro de digitais e de imagem, driblando a exigência de identificação presencial em agências do INSS e em bancos. A Polícia Federal confirmou o mecanismo em mais de 170 laudos papiloscópicos, que mostraram a mesma impressão digital ligada a identidades diferentes no sistema previdenciário.

Vale lembrar que se trata de uma denúncia, o ato em que o Ministério Público acusa formalmente os suspeitos. A decisão sobre a culpa de cada um cabe à Justiça, e os acusados têm direito de se defender.

Por que isso importa para quem cuida de um idoso

À primeira vista, é um caso de polícia que não tem a ver com a rotina de uma família. Mas ele toca em dois pontos que aparecem o tempo todo na vida de quem cuida de um pai ou de uma mãe: o BPC e a segurança dos dados do beneficiário.

O BPC é um benefício assistencial pago a pessoas idosas e a pessoas com deficiência que comprovam baixa renda. Muitas famílias dependem dele para pagar a casa, a comida e parte do cuidado. O guia sobre direitos do idoso, BPC, aposentadoria e plano de saúde explica quem pode pedir e onde consultar as regras atualizadas.

A reportagem trata de benefícios obtidos com identidades falsas. Ela não diz que beneficiários verdadeiros tenham perdido o que recebem por causa do esquema. Ainda assim, quando uma fraude desse tamanho vem a público, é comum que apareçam mensagens oportunistas dizendo que o benefício "será cortado", que é preciso "recadastrar" ou que há "valores a receber". Esse é o ponto em que a notícia vira risco para a família.

O que muda para a sua família

O caso não muda nenhuma regra do BPC. O que ele sugere é atenção redobrada a qualquer contato inesperado sobre o benefício. Algumas medidas simples valem para toda casa em que alguém recebe o BPC ou uma aposentadoria:

  • Guarde os documentos do idoso (RG, CPF, certidão e cartão do benefício) em local seguro, e evite mandar foto de documento por mensagem para quem você não conhece.
  • Não entregue digitais, fotos do rosto ou documentos a quem se oferece para "agilizar" ou "garantir" um benefício, mesmo que a pessoa diga que é do INSS.
  • Confira o extrato do benefício de tempos em tempos no aplicativo Meu INSS, digitando você mesmo o endereço oficial, para ver se há descontos ou empréstimos que ninguém autorizou.
  • Se receber qualquer aviso de bloqueio, revisão ou recadastramento, não responda pelo número que enviou a mensagem. Ligue para o 135, a central do INSS.
  • Desconfie de quem cobra para "liberar" ou "destravar" o benefício. Pedir o benefício no INSS não exige pagar intermediário.
Se algo estranho aparecer

Se o benefício do seu familiar for suspenso, se houver desconto que ele não reconhece ou se alguém usar o nome dele sem autorização, procure o INSS pelo 135 ou por uma agência e registre um boletim de ocorrência. Guarde prints e protocolos.

A mesma lógica dos golpes que já chegam ao celular

Fraudes grandes como essa são organizadas e envolvem documentos falsos. Os golpes contra a vítima idosa, no dia a dia, são bem mais simples: uma mensagem, um link e um pedido de dado feito com pressa. O site já tratou de dois casos recentes. Em um deles, a isca era um dinheiro extra que não existe, como mostra a notícia sobre o golpe do 14º salário. No outro, um curso de celular falso levou um idoso a perder dinheiro, como conta a matéria sobre o golpe do falso curso com reconhecimento facial.

Para montar um combinado de segurança em casa, o guia golpes contra idosos: como evitar no celular reúne os padrões mais comuns e o que fazer depois de um prejuízo. E, quando a responsabilidade de acompanhar documentos e contas está espalhada entre os filhos, vale combinar quem será o contato de confiança, como sugere o artigo sobre como dividir o cuidado dos pais entre irmãos.

O que observar a seguir

Com a denúncia apresentada, o próximo passo é a análise pela Justiça Federal, que decide se aceita a acusação e abre o processo. A reportagem não informa data para essa decisão. Também não cabe a nenhum site, nem a este, antecipar condenações: o que existe agora é a acusação do MPF e as provas que ela cita.

Outro ponto a acompanhar é a resposta do INSS e do governo a esse tipo de fraude, especialmente sobre as regras de identificação biométrica nos benefícios assistenciais. Se houver mudança que afete beneficiários, ela deve ser divulgada nos canais oficiais, como o site do INSS, o Meu INSS e o 135. Enquanto isso, a orientação para a família continua a mesma: informação sobre benefício se confere na fonte oficial, e nunca em quem liga ou escreve oferecendo ajuda.

Para ir mais fundo, leia a reportagem original, que traz as declarações dos procuradores e o detalhamento do esquema.

Fonte original

O Tempo

otempo.com.br

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Quem escreveu

Equipe Saúde na Minha Vida

Redação do Saúde na Minha Vida

A equipe do Saúde na Minha Vida escreve para filhos, netos e cuidadores de idosos. Cada texto parte de fontes oficiais (Ministério da Saúde, OMS, sociedades médicas) e é escrito em português simples, com passo a passo e aviso claro de quando procurar um profissional.

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